PREPARAÇÃO PARA A GUERRA/A CONTROVÉRSIA (Zero Hora de 04.10.2001)
Hino dos EUA provoca polêmica na Capital
O guitarrista Yngwie Malmsteen foi vaiado ao tocar “Star Spangled Banner”,
em Porto Alegre, na terça-feira
O show do guitarrista sueco Yngwie Malmsteen em Porto Alegre, na terça-feira, acabou em polêmica.
Ao tocar o hino nacional norte-americano, o músico foi vaiado pelo público que lotava o Bar Opinião. O único norte-americano da banda de apoio de Malmsteen, o tecladista Derek Sherinian, publicou uma nota na Internet qualificando Porto Alegre de uma cidade “terceiro-mundista cheia de caipiras”.
O show transcorreu sem problemas por quase uma hora. Entre uma música e outra, o vocalista Doogie White fez uma referência aos atentados terroristas ocorridos nos Estados Unidos em 11 de setembro, que atrasaram a turnê de Malmsteen em uma semana:
– Loucos fizeram uma coisa horrível e atrasaram nossa programação – disse.
Em seguida, Malmsteen, que mora nos Estados Unidos há cerca de 20 anos, tocou um trecho do hino norte-americano, Star Spangled Banner. Boa parte do público presente, formado em sua maioria por jovens entre 17 e 25 anos, vaiou o guitarrista, que exibiu um sorriso constrangido e prosseguiu com o show. Algumas pessoas gritavam “Brasil, Brasil”. Em três ocasiões, o sueco voltou a tocar a introdução do hino, sendo vaiado em cada uma delas.
Ao apresentar a banda de apoio, composta por um argentino, um suíço, um escocês e um norte-americano, fez questão de dizer que cada um deles vivia nos Estados Unidos. No bis, falou ao microfone, em inglês:
– Tenho duas perguntas. A primeira: vocês querem mais música?
– Sim – respondeu a maioria dos fãs.
– A segunda: vocês vão continuar vaiando o hino dos Estados Unidos? Se continuarem, eu paro de tocar.
Alguns aplausos e algumas vaias foram ouvidos, e a apresentação seguiu com mais uma música. Alguns sinais obscenos foram trocados entre a platéia e o tecladista Derek Sherinian. Encerrada a música, Malmsteen tentou novamente executar Star Spangled Banner na guitarra. A vaia foi ininterrupta e houve gritos de “Bin Laden”. O guitarrista se despediu do público com um palavrão:
– God bless America and fuck you all (Deus abençoe a América e F. todos vocês) – gritou.
A banda saiu correndo do palco, entrou em uma van e se dirigiu ao hotel. Ao meio-dia de ontem, o grupo embarcou para Curitiba, onde tem show marcado para hoje à noite. Também ontem, o tecladista Sherinian publicou uma nota em sua página da Internet (www.dereksherinian.com) repudiando a atitude do público de “Porte Allegre” (sic). “Ver manifestações antiamericanas na CNN é ruim, mas estar no meio de uma delas é ainda mais assustador”, escreveu. O músico encerra o texto dizendo que o público da capital gaúcha deveria se envergonhar: “Não ligo se nunca mais vier a tocar em sua cidade terceiro-mundista infestada de caipiras. Deus abençoe a América.” Na nota, Sherinian diz erroneamente que Malmsteen voltou ao palco sozinho para o bis. Procurada por Zero Hora ontem, a produção da banda informou que o tecladista não queria comentar o episódio.
O guitarrista tem outro show marcado para amanhã em São Paulo, no Via Funchal. Na segunda-feira, Malmsteen surpreendeu os produtores locais ao determinar o cancelamento dos shows de abertura em São Paulo e Porto Alegre – na capital gaúcha, a atração de abertura seria a banda porto-alegrense Hibria. Na terça-feira, conforme a Opinião Produtora, o músico chegou duas horas atrasado para a passagem de som, o que retardou em 30 minutos o início do show.
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Íntegra traduzida da nota publicada pelo tecladista Derek Sherinian no site www.dereksherinian.com: |
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Inaceitável... |