O CENTRO DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL DA VILA PINTO CEA – é uma associação de trabalhadores de baixa renda, preferencialmente mulheres, comprometidas com a transformação da consciência comunitária, objetivando melhor qualidade de vida e meio ambiente.

Trabalham com seleção e reaproveitamento do lixo urbano, viabilizando sua sobrevivência e a concretização da ajuda mútua. Lutam pelas liberdades individuais e coletivas, justiça social e direitos fundamentais do ser humano.

A missão do CEA é gerar e facilitar oportunidades de crescimento pessoal e profissional aos seus associados e à comunidade da Vila Pinto, para que seja reconhecido como agente de transformação da realidade e de resgate da dignidade, da auto-estima e da cidadania, capacitando-os e organizando-os para a conquista de uma melhor qualidade de vida.

Seus princípios e valores se baseiam na ética, na valorização do ser humano, preservação do meio ambiente, incentivar a gestão participativa, a educação e a interação com a comunidade, ter autonomia de decisão, a busca incessante da qualidade, desenvolver e provocar parcerias e buscar sempre a sustentabilidade do Centro e seus projetos.

O projeto representa uma contribuição para a proteção de recursos naturais e do meio ambiente à medida que resolve uma parte do lixo urbano, considerando que os resíduos sólidos não orgânicos eram jogados a céu aberto. A seleção para reciclagem é uma contribuição para a utilização racional dos recursos naturais não renováveis, resultando também em menos lixo.

Em poucos anos, as mulheres, sempre maioria no CEA, conseguiram tornar o empreendimento rentável, não só aumentando significativamente a produção e a renda, como criando oportunidade para mais pessoas trabalharem.

O COMEÇO

A Vila Pinto, em Porto Alegre, integra um conglomerado de vilas pobres que formam a região chamada de Grande Mato Sampaio. São cerca de 12.000 habitantes, distribuídos em mais de 2.500 famílias. Metade desta população tem idade inferior a 18 anos e 80 %tem menos de 40 anos e via de regra, possui baixo poder aquisitivo. A comunidade, de forma geral, tem baixo nível de escolaridade e de profissionalização.

CEA surgiu da iniciativa de um grupo de mulheres que ansiava discutir suas vidas e quais eram as possibilidades de modificar a condição de pobreza e violência a que estavam submetidas.

Lideradas por Marli Medeiros, Promotora Legal Popular, capacitada em curso promovido pela ONG THEMIS, para o exercício da defesa dos direitos da mulher em suas comunidades a partir dos conhecimentos básicos de direito, foram buscar apoio externo para transformar em realidade seus desejos. Apoiadas pela GTZ – Sociedade Alemã de Cooperação Técnica – iniciaram um processo de trabalho baseando-se na discussão, na realização de planejamento e na elaboração de planos de ação com a responsabilização de todos para a sua implementação.

As três principais etapas do processo foram:

1.Realização de discussões e atividades para viabilizar a construção do galpão, que mais tarde veio a se chamar CENTRO DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL.

2.Busca de parcerias para capacitação, treinamento e simulação dos trabalhos que as mulheres iriam executar, discussão das tarefas na seleção de lixo, divisão interna dos papéis de cada trabalhador e forma de negociação do produto do trabalho. Visitas a galpões semelhantes em Porto Alegre e cidades vizinhas.

3.Amadurecimento do conceito de parcerias e intensificação da prática em atividades conjuntas com entidades comunitárias e entidades.

Os associados trabalharam utilizando o conceito de cooperação e parceria, com o intuito de construir um desenvolvimento que contemple a vida de homens e mulheres em condições de igualdade, extrapolando as paredes do Centro de Educação Ambiental.

O prédio, localizado no centro de um terreno de 5000m², foi construído pela Prefeitura Municipal de Porto Alegre e a matéria–prima utilizada no CEA provém da coleta seletiva de lixo realizada pelo Departamento Municipal de Limpeza Urbana, pela coleta seletiva em shoppings e supermercados, além de sucatas e material rejeitado em obras da construção civil, como tijolos e aberturas, que são restauradas e reaproveitadas.

Hoje, cerca de 200 pessoas trabalham no CEA, nas vinte e quatro horas do dia, em 4 turnos de 6 horas, manuseando em média 21 toneladas/dia de lixo seco, composto de plásticos, vidro, lata, papel e alumínio.

O resultado da venda é dividido entre os associados, garantindo o sustento das pessoas que trabalham e de suas famílias.

Nenhum dos associados conhecia a tarefa de reciclagem de resíduos sólidos ou como se desenvolviam os trabalhos nesta área. O grande desafio destas mulheres foi o desenvolvimento de sua autocapacitação e o fio condutor do processo, desde as discussões iniciais. Teve como principal parâmetro às experiências e idéias de todos os envolvidos. Os saberes técnico e popular deveriam ser combinados, como ingredientes básicos para os trabalhos, que tem como princípio o aprender-fazendo.

A REALIDADE

A Vila Pinto, em Porto Alegre, integra um conglomerado de vilas pobres que formam a região chamada de Grande Mato Sampaio. São cerca de 12.000 habitantes, distribuídos em mais de 2.500 famílias. Metade desta população tem idade inferior a 18 anos e 80 %tem menos de 40 anos e via de regra, possui baixo poder aquisitivo. A comunidade, de forma geral, tem baixo nível de escolaridade e de profissionalização.

CEA surgiu da iniciativa de um grupo de mulheres que ansiava discutir suas vidas e quais eram as possibilidades de modificar a condição de pobreza e violência a que estavam submetidas.

Lideradas por Marli Medeiros, Promotora Legal Popular, capacitada em curso promovido pela ONG THEMIS, para o exercício da defesa dos direitos da mulher em suas comunidades a partir dos conhecimentos básicos de direito, foram buscar apoio externo para transformar em realidade seus desejos. Apoiadas pela GTZ – Sociedade Alemã de Cooperação Técnica – iniciaram um processo de trabalho baseando-se na discussão, na realização de planejamento e na elaboração de planos de ação com a responsabilização de todos para a sua implementação.

As três principais etapas do processo foram:

4.Realização de discussões e atividades para viabilizar a construção do galpão, que mais tarde veio a se chamar CENTRO DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL.

5.Busca de parcerias para capacitação, treinamento e simulação dos trabalhos que as mulheres iriam executar, discussão das tarefas na seleção de lixo, divisão interna dos papéis de cada trabalhador e forma de negociação do produto do trabalho. Visitas a galpões semelhantes em Porto Alegre e cidades vizinhas.

6.Amadurecimento do conceito de parcerias e intensificação da prática em atividades conjuntas com entidades comunitárias e entidades.

Os associados trabalharam utilizando o conceito de cooperação e parceria, com o intuito de construir um desenvolvimento que contemple a vida de homens e mulheres em condições de igualdade, extrapolando as paredes do Centro de Educação Ambiental.

O prédio, localizado no centro de um terreno de 5000m², foi construído pela Prefeitura Municipal de Porto Alegre e a matéria–prima utilizada no CEA provém da coleta seletiva de lixo realizada pelo Departamento Municipal de Limpeza Urbana, pela coleta seletiva em shoppings e supermercados, além de sucatas e material rejeitado em obras da construção civil, como tijolos e aberturas, que são restauradas e reaproveitadas.

Hoje, cerca de 200 pessoas trabalham no CEA, nas vinte e quatro horas do dia, em 4 turnos de 6 horas, manuseando em média 21 toneladas/dia de lixo seco, composto de plásticos, vidro, lata, papel e alumínio.

O resultado da venda é dividido entre os associados, garantindo o sustento das pessoas que trabalham e de suas famílias.

Nenhum dos associados conhecia a tarefa de reciclagem de resíduos sólidos ou como se desenvolviam os trabalhos nesta área. O grande desafio destas mulheres foi o desenvolvimento de sua autocapacitação e o fio condutor do processo, desde as discussões iniciais. Teve como principal parâmetro às experiências e idéias de todos os envolvidos. Os saberes técnico e popular deveriam ser combinados, como ingredientes básicos para os trabalhos, que tem como princípio o aprender-fazendo.

RESULTADOS

AUTO-ESTIMA E CIDADANIA FORTALECIDOS

O grupo procura usar sua autonomia para buscar o crescente engajamento no movimento político da comunidade, da vila e da sociedade através do estabelecimento de parceiras com entidades e grupos mais amplos, inclusive no âmbito estadual.

CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO DA COMUNIDADE

OCentro é gerador de iniciativas que promovem a participação dos moradores do bairro e já promoveu parcerias para programas de alfabetização, educação ambiental, artes plásticas, assistência psicológica, música para crianças e adolescentes, grupo teatral, grupo musical, equipes esportivas, ações comunitárias e relações humanas, além de despertar o espírito de solidariedade no ambiente da Vila.

De acordo com dados dos órgãos de segurança pública, o alto índice de crimes contra as mulheres vem decaindo e durante o ano de 99 não foi registrado nenhum estupro, ao contrário do que ocorria antes do surgimento do CEA.

Atualmente 30% da população da Vila separa o lixo seco para comercializar e para melhorar a conscientização.

Aumento da atividade econômica na região. Todo o associado do Centro e sua família são consumidores potenciais e confiáveis. O pequeno comércio local tem condições de crescer em virtude de uma nova classe que consome e pode programar seus gastos, pois seu rendimento é certo.

RECONHECIMENTO INTERNACIONAL

Uma de suas principais conquistas foi a participação na Expo 2000, em Hannover, Alemanha, em agosto de 2000. A escolha como “Projeto Mundial” entre projetos de auto-ajuda com contribuição ao ser humano, natureza e meio ambiente valorizam o trabalho desenvolvido.

CRESCIMENTO DE EMPREGOS, RENDA E PRODUÇÃO

O trabalho vem conquistando status de atividade formal e cumpre importante função alternativa de ocupação e renda para os seus associados.

No final de 1997, 37 pessoas trabalhando dois turnos de 8 horas, dividiam em forma de partilha uma média de 1,1 salário mínimo/mês. Hoje são cerca de 200 pessoas que trabalham em turnos de seis horas e dividem uma média de 2,1 salário mínimo/mês. Mais pessoas trabalham menos e ganham mais.

Foi criado um fundo financeiro que permite a compra de máquinas, investimentos em melhorias e infraestrutura, ampliação da área física e aquisição de bens móveis ou imóveis.

A SOCIEDADE CIDADÃ

A insatisfação com sua realidade e o espírito de luta dessa gente sensibilizou alguns cidadãos que só conheciam essa realidade pelos veículos de comunicação. Dezenas de parceiros se juntaram ao CEA, sejam pessoas físicas, empresas, entidades ou Poder Público. Hoje, todos são o CENTRO DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL.

O AMANHÃ

CEA permite que pessoas que não sabiam o que era sonhar, hoje, façam de seus sonhos objetivos a serem alcançados. O aumento do sentimento de solidariedade e a preocupação comunitária fazem parte do vocabulário e da prática diária de todos.

Em cada um dos associados pode se ver um pouco de Marli Medeiros. A altivez ao se reconhecer como recicladora, o desejo comum superando os interesses individuais, o reconhecimento de suas próprias limitações e saber que elas podem ser superadas, não ter medo de contar seus desejos, saber que sonhos não têm tamanho, a motivação no dia-a-dia da construção do futuro e poder olhar todo mundo sem medo.

Quando falar com qualquer uma das pessoas da comunidade e ela contar o que vai fazer, não duvide. Transformar sonhos em realidade passou a ser comum nesta região.

Eles levam a risca o ditado que diz que aquele que não sabe que algo é impossível, é o único que tem condições de fazê-lo.


MARLI MEDEIROS

A trajetória de Marli Medeiros não é muito diferente da grande maioria dos brasileiros. Nascida no interior do Rio Grande do Sul, na cidade do Alegrete, fronteira com a Argentina, em 1970, veio para Porto Alegre em busca de oportunidades.

            Viveu o sobe e desce das oportunidades do mercado. Foi empregada doméstica, bancária, auxiliar de escritório e finalmente, gerente de uma pequena loja.

Mas além dessa luta pela sobrevivência, tinha no casamento os problemas comuns nos lares das periferias das grandes cidades. Se já não bastasse morar num dos maiores bolsões de miséria de Porto Alegre e do Brasil, vivendo sob a lei do silêncio dos traficantes de drogas e onde a vida valia nada, um marido alcoólatra completava seu mundo infeliz.

Neta de escravos e com a coragem dos missioneiros e fronteiriços, Marli resolveu dar um basta naquela vida sem sentido e percebeu que o seu problema era comum à maioria das mulheres da região.

Em 1990, decidiu dedicar-se exclusivamente a trabalhos comunitários. Nesse ano, fundou o Clube da Mulher e em 1992, cria o Centro Cultural da Vila Pinto.

Em 1993, fez o Curso de Promotora Legal Popular (Capacitação em Noções Básicas dos Direitos da Mulher) promovida pela ONG Themis. No terceiro mês do curso estava preparada para um grande momento da sua vida. Separou-se.

Decidida a levar sua experiência a outras mulheres, mobiliza a comunidade e consegue fundar o Centro de Educação Ambiental da Vila Pinto, em 1996, com a finalidade de ser um equipamento comunitário capaz de servir como instrumento organizativo das mulheres vítimas da violência e permitir sua independência financeira.

O CEA cresceu tanto, movido pelos sonhos dessas mulheres, que se permite investir e incentivar, através da busca de parcerias, a participação da comunidade e, principalmente, das mulheres e dos jovens nos projetos de arte, esporte, lazer, educação e formação profissional.

O Livro de Visitas do CEA registra a passagem de visitantes de vários locais do Brasil e do Exterior. Países como Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, França, Argentina, Alemanha, Bélgica, Portugal, Espanha, Peru, Chile e muitos outros deixaram registrado sua admiração pelo projeto de reciclagem, não do lixo, mas da vida dessas pessoas.

Em março de 2000, Marli recebeu da Prefeitura Municipal de Porto Alegre o título de AMIGA DA CIDADE, pela transformação que fez na sua comunidade e por serviços prestados ao município e em agosto, foi para a Alemanha apresentar o CEA na Expo 2000, como um dos projetos inovadores no mundo.

Essa experiência está sendo disseminada através de palestras que Marli tem sido convidada a proferir na Feira Internacional do Plástico (SP/março 2001) e em cidades de todo o Brasil.

Atualmente, como presidente do CEA, Marli Medeiros coordena o projeto de humanização do centro da cidade que pretende substituir os carrinhos e carroças de papeleiros por veículos motorizados e faz parte do Conselho Político do Prefeito de Porto Alegre, Tarso Genro.

Mãe de quatro filhos (três naturais e um adotivo) e com cinco netos sabe que sua experiência de vida é rica e sua luta serve de exemplo para os seus.

ALGUMAS FOTOS

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